Após seu casamento com Francesca Righi, com quem teve três filhos, Ramazzini estabeleceu-se como médico prático, em Módena, onde, a partir de 1671, exerceu a profissão em tempo integral, tendo adquirido grande reputação como médico e cientista interessado em temas de Física e áreas afins. A fase de sua vida em Módena vai de 1671 a 1700.
Na procura de cérebros privilegiados e brilhantes para formar os quadros daquela novel Universidade de Módena, o Duque Francesco II d’Este, em 1682, convidou Ramazzini para lecionar na cadeira de Medicina Teórica, e depois de três anos, nas cadeiras de Medicina Teórica e de Medicina Prática. Então com 49 anos, Ramazzini permaneceu lecionando por longos 19 anos.Foi este, seguramente, o tempo de vida profissional mais profícuo, época em que publicou regularmente inúmeras observações e estudos em vários campos da Medicina e de outras ciências, tanto na forma de artigos como na de livros.
Ramazzini começa a se tornar mais conhecido e reconhecido fora de sua região e país, vindo, em 1690, a tornar-se membro da prestigiosa “Academia Caesario-Leopoldina dos Curiosos da Natureza”, em Viena, para a qual foi eleito, com a idade de 57 anos. Nesse ambiente, foi-lhe atribuído o cognome de “Hipócrates III”, posto que lesse assiduamente Hipócrates em grego, e conhecesse sua vida e obra, como poucos. Torna-se amigo e confrade de cientistas como Marcello Malpighi (1628-1694), Giovvani Lancisi (1654-1720), Gottfried Leibniz (1646-1704) - entre outros - com quem muitas vezes encontrou-se na Itália, mantendo, ademais, ativa correspondência com muitos deles.
Nesta época, ano acadêmico de 1690/91, Ramazzini inicia no curso médico de Módena, suas aulas sobre a matéria que denominou De Morbis Artificum - as doenças dos trabalhadores. Suas observações e apontamentos de aula, mais tarde constituidores de seu “diatriba” - tratado - que intititulou De Morbis Artificum Diatriba, resultaram da amalgamação de uma sólida bagagem de erudição na literatura histórica, filosófica e médica disponível - como se verá adiante -, com as observações colhidas em visitas a locais de trabalho, e entrevistas com trabalhadores.
Conforme relato feito pelo próprio Ramazzini, o despertar do seu interesse pelas doenças dos trabalhadores e pela elaboração de um texto voltado para este tema deu-se a partir da observação do trabalho dos “cloaqueiros”, em sua própria casa, em Módena. Esses trabalhadores tinham a tarefa de esvaziar as “cloacas” (“fossas negras”) que armazenavam fezes e outros dejetos, como aliás ainda era feito rotineiramente, há até não muito tempo atrás, em diversas cidades brasileiras, e excepcionalmente por trabalhadores de empresas de saneamento básico. |