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Interfaces entre o filme “Extraordinário” e a Medicina do Trabalho

Na última Reunião Científica da AMIMT, realizada no dia 13 de março, foram feitas analogias sobre o filme “Extraordinário”, indicado ao Oscar 2018, com o processo de inclusão de pessoas com deficiência nas empresas. A apresentação foi conduzida pela Dra. Letícia Gários e teve como debatedor o Dr. Vinício Moreira.

O filme aborda a vida de uma criança portadora de uma anomalia que lhe imprime um aspecto físico repugnante e as dificuldades encontradas por ela ao frequentar uma escola. É possível observar, a princípio, a dificuldade enfrentada pelos deficientes quando eles são admitidos em locais onde não existem outras pessoas com limitações.

A escola, objetivando a melhor adaptação do aluno, escolheu alguns estudantes bolsistas as quais foi imposta a tarefa de apresenta-se como amigos do deficiente. Quando o protagonista tomou conhecimento dessa “combinação” entre o diretor da instituição e os colegas – que ele havia considerado de fato amigos –,a decepção foi imensa, causando-lhe intenso sofrimento.

Histórias semelhantes à vivenciada pelo protagonista do filme “Extraodinário” ocorrem no dia a dia de diferentes empresas que realizam a inclusão de Pessoas com Deficiência somente para cumprir exigências da legislação. O filme nos alerta que, no ambiente laboral, a inclusão não pode ser imposta.

A verdadeira inclusão do deficiente no ambiente laboral deve passar por um processo de aprendizado dos diversos atores sociais, especialmente das pessoas sem deficiência, pois, incluir requer a aceitação plena das limitações do outro. Incluir um deficiente no ambiente laboral significa compreender as necessidades de adaptações desse indivíduo para o exercício das mesmas atividades realizadas por não deficientes. A inclusão de deficientes no ambiente laboral significa contar com o auxílio daqueles que não possuem limitações, de forma espontânea, sem imposições e constrangimentos para ambas as partes.

O objetivo da apresentação foi promover reflexões sobre o papel dos Médicos do Trabalho na inclusão da pessoa com deficiência no ambiente laboral, a partir de uma história fictícia. Foi também alertado sobre as escolhas que priorizam os “menos deficientes” com o objetivo de que eles contribuam efetivamente com a atividade laboral.

A palestrante despertou a plateia sobre o papel social e humanitário de tal inclusão, lembrando ser necessário que a humanidade aprenda a conviver e a compreender aqueles menos capacitados física ou intelectualmente, ao invés de discriminá-los.