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Rastreamento do câncer mamário
19-12-2009
 
Waldeir José de Almeida Júnior

Tivemos uma recente diretriz da Força Tarefa para Prevenção dos EUA não recomendando a realização de mamografias de screening do câncer de mama em mulheres entre 40 e 49 anos, pois não encontraram uma redução da mortalidade pela doença nesta população(Ann Intern Med. 2009;151:716-726, 727-737, 750-752). O estudo considerou que nesta faixa de idade os benefícios em termos de melhora da sobrevida são pequenos, com dados de que 1 morte poderia ser evitada a cada 1900 mulheres rastreadas em 10 anos para mulheres entre 40 e 49 anos, o que é significativamente menor do que 1 morte evitada para cada 1300 mulheres rastreadas entre 50 e 59 anos, ou 1 a cada 400 mulheres rastreadas entre 60 e 69 anos. Também considera um número excessivo de exames falso-positivo, aumento dos cus tos com biópsias desnecessárias, mais ansiedade e angústia nas pacientes, além de não recomendar o auto exame de mama. Estes dados tem provocado vários questionamentos de colegas e das pacientes quanto ao rastreamento mamográfico do câncer de mama.

O câncer de mama tem estatísticas alarmantes. É o que mais atinge ,excluindo pele, e o que mais mata as mulheres – 49.800 novos casos /ano; 9.800 mortes /ano no Brasil (INCA,2008) - com toda a simbologia e problemas que esta doença acarreta.

A redução da mortalidade pela doença que ocorreu nos paises desenvolvidos ocorreu pelo uso de novas drogas no tratamento adjuvante e pelo diagnóstico precoce com o rastreamento na população assintomática e a detecção de lesões subclínicas.

Vários estudos já publicados consideram a mamografia como o método adequado para o rastreamento do câncer de mama e, mesmo após o estudo da Task Force, a Sociedade Americana de Oncologia, o Colégio Americano de GO e a Sociedade Brasileira de Mastologia mantêm a recomendação do Screening Mamográfico ser anual após os 40 anos. A primeira mamografia deve ser realizada entre 35 e 40 anos.

Após a publicação do estudo, a Secretária de Saúde dos EUA, Kathleen Sebelius, em nota oficial, esclareceu que a Task Force não estabelece as políticas federais de saúde, que continuam indicando o exame de rotina a partir dos 40 anos.

O auto exame não leva a diminuição da mortalidade da doença, mas é uma oportunidade para o conhecimento do corpo e detecção mudanças que podem ter significado patológico, principalmente em mulheres de alto risco para câncer de mama.

No dia a dia dos nossos consultórios, com todas as pressões e estatísticas e convivemos, devemos fornecer informações corretas e segurança para as nossas pacientes, sendo o rastreamento mamográfico após os 40 anos uma prática totalmente adequada, com diminuição da mortalidade e de tratamentos mutiladores.

Anexo o texto publicado pelo Professor Tabar, médico do Massachusetts General Hospital e professor de radiologia da Harvard Medical School, considerado um dos maiores especialistas em mamografia, com vários trabalhos publicados em relação ao screening mamográfico.

Waldeir José de Almeida Júnior
Mastologista do Hospital Mater Dei
Professor do Departamento de Ginecologia da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais. Membro da comissão do Teste de Especialista da Sociedade Brasileira de Mastologia

Research fellow da Unidade de Mastologia da University Hospital of Wales (Grã- Bretanha)


The USPSTF Recommendations Are Not Scientifically Based - Underestimate the Benefit of Mammography and Admit That Lives Will Be Lost Unnecessarily


• Daniel B. Kopans, Expert in Mammography Screening
Harvard Medical School/Massachusetts General Hospital


The US Preventive Services Task Force (USPSTF) acknowledges that mammography screening, beginning at the age of 40, significantly decreases breast cancer deaths. Their guidelines, however, ignore the science and direct measurements of benefit to limit access to screening.
1. None of the parameters of screening change abruptly at the age of 50 or any other age (1). The age of 50 is an arbitrary threshold.
2. The USPSTF correctly used the randomized, controlled trials (RCT) as scientific proof of benefit. However, since the RCT did not stratify by risk, there is no proof that screening based on risk will save lives, and no scientific support for recommending screening based on risk (2). Screening only women at high risk will miss the 75-90% of breast cancers that occur in women who are not at high risk.
3. The US PSTF chose the lowest possible reduction in breast cancer deaths (15%), unaware of the fact that the RCT underestimate benefit. Women allocated to be screened who refuse the invitation, and die of breast cancer, are still counted as having been screened (non-compliance). Women allocated to be controls whose lives are saved by mammograms that they obtain outside the trial, are still counted as unscreened controls (contamination).
4. The USPSTF recognizes a 30 % decrease in breast cancer deaths in the U.S. since 1990 but ignore it, and ignore the 40% decrease in breast cancer deaths reported in Sweden (3), predominantly due to screening, that applies to women in their forties.
5 Ignoring direct data they used a 15% reduction in deaths and estimated 1300 women needed to be screened (NTS) to save one life was a reasonable number to support recommending mammography. They would deny screening to women ages 40-49 because they estimated their NTS was 19 00. In reality there is 30-40% decrease in deaths for women in their forties so, using their formula, the NTS is 950-705 for women in their forties putting them well below the threshold.
6 Most false positive mammograms are easily resolved with a few extra pictures. Most biopsies are needle biopsies. Over treatment is not the fault of mammography and should be addressed to the oncologists.
7. The Task Force admits that lives will be lost by increasing the time between screens to two years. Before denying women access to screening, anyone advising women needs to be aware of the facts.


References: 1. Kopans DB. Informed decision making: age of 50 is arbitrary and has no demonstrated influence on breast cancer screening in women. Am J Roentgenology 2005;185:177-82 2. Kopans DB. Screening mammography for women age 40 to 49 years. Ann Intern Med. 2007;147:740-1. 3. Swedish Organised Service Screening Evaluation Group. Reduction in breast cancer mortality from organized service screening with mammography: 1. Further confirmation with extended data. Cancer Epidemiol Biomarkers Prev. 2006;15:45-51


Waldeir José de Almeida Júnior

 

 
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