Para o desenvolvimento da formação/capacitação
dos Médicos do Trabalho, estão disponíveis,
no Brasil, as seguintes modalidades de treinamento e capacitação:
Cursos de Especialização
em Medicina do Trabalho:
Existem, na atualidade, inúmeros cursos ministrados
por instituições de ensino, com distintas formas
de organização e estratégias pedagógicas.
Segundo os parâmetros mínimos definidos para
os Cursos de Especialização pelo Conselho Federal
de Educação, estes devem ter uma carga horária
mínima de 360 horas.
Os Cursos de Especialização
em Medicina do Trabalho tiveram sua origem nos anos 70, em
um plano emergencial de formação de especialistas
para atender à demanda criada pela Portaria 3.237/72,
do Ministério do Trabalho, que criou a obrigatoriedade
dos Serviços Especializados de Engenharia de Segurança
e Medicina do Trabalho nas empresas, dependendo do grau de
risco de suas atividades e do número de empregados.
Superada, porém, a fase inicial, muitos destes cursos
continuaram sem mudanças substanciais, oferecendo mais
uma informação sobre a especialidade do que
propriamente uma capa-citação profissional.
Inúmeros esforços
têm sido feitos na direção de melhorar
e aperfeiçoar este processo, registrando-se alguns
avanços significativos, porém isolados, incapazes
de responder adequadamente às necessidades de preparação
de um profissional capaz de atender ao que dele é demandado
pelo mercado.
Desenvolvidos à noite,
para alunos esgotados com as atividades de uma rotina de trabalho
pesada e consumidora de energia, muitos destes cursos contam
com um componente pratico reduzido ou ausente, tendo um caráter
mais informativo que formativo. Perpetua-se, assim, o ciclo
da baixa capacitação profissional ® exercício
da especialidade pobre ou inadequado desqualificação
profissional ® baixa remuneração e marginalidade.
Entretanto a alternativa dos
Cursos de Especialização, organizados de outra
forma, com uma carga horária prática melhor
dimensionada e desenvolvida, permanece importante para a formação
dos especialistas, particularmente, se acoplada a um sistema
de educação continuada.
Residência Médica
em Medicina do Trabalho, Saúde Ocupacional ou Saúde
do Trabalhador, (área de Concentração
da Residência em Medicina Social):
A preparação dos Médicos do Trabalho
através da Residência Médica ganhou expressão
nos anos 80, no bojo do movimento da Saúde do Trabalhador.
Surgiram organizadas no âmbito dos Departamentos de
Medicina Preventiva e Social, ou de Saúde Comunitária,
como uma área de concentração em Medicina
do Trabalho, Saúde Ocupacional ou Saúde do Trabalhador
nas residências em Medicina Social ou Medicina Comunitária.
Na grande maioria dos casos,
os programas são organizados de modo que o médico
residente cumpra um programa básico de formação
em Saúde Pública no primeiro ano e faça
sua formação especifica no segundo ano, na forma
de estágios em Ambulatórios e serviços
especializados de atenção ao trabalhador na
rede pública de serviços de saúde, junto
a Serviços Especializados de Engenharia de Segurança
e Medicina do Trabalho (SESMT) de empresas; em Serviços
de Saúde de Sindicatos de trabalhadores, além
de participar de atividades acadêmicas de seminários,
cursos visando o aprofundamento teórico e a aquisição
de habilidades em temas específicos. Na maioria dos
Programas é exigida a elaboração de uma
monografia sobre um tema da área para a conclusão
do Programa e obtenção do Certificado.
Em que pesem os avanços
registrados na qualificação dos profissionais
inseridos no mercado de trabalho e no sucesso dos egressos
desses programas em concursos realizados para o provimento
de vagas em instituições de ensino, para médicos
peritos da Previdência Social (INSS) e da fiscalização
do Trabalho (MTb), esta modalidade de formação
ainda necessita ser aperfeiçoada.
Entre os principais problemas
identificados pelos egressos, professores e supervisores ligados
aos Programas de Residência estão a duração
dos Programas e a carga horária requerida, a inadequação
de alguns campos de prática, sendo consideradas excessivas
em alguns setores e insuficiente em outras, além de
questões especificas ligadas à supervisão,
disponibilidades de recursos materiais de ensino, entre outros.
Porém, o objeto de
questionamento permanente dos residentes tem sido a pouca
discriminação que o mercado de trabalho faz
em relação ao título conferido. Na prática,
o egresso de um curso de especialização com
360 horas de duração compete, em igualdade de
condições, pelo emprego ou contrato de trabalho,
que aquele da residência que cumpriu um programa de
dois anos, com uma carga horária superior a 5.000 horas.
Cursos de pós-graduação a nível
de Mestrado e Doutorado, geralmente organizados enquanto área
de concentração específica:
Tradicionalmente, os cursos de pós-graduação
senso estrito têm sido reservados à formação
de docentes e pesquisadores de instituições
acadêmicas. Entretanto, tem se observado uma demanda
crescente por estes cursos, por parte de profissionais já
inseridos em outras instâncias do campo de atuação
da especialidade, que buscam uma melhor qualificação
profissional ou trazem problemas que estão enfrentando
no seu dia a dia de trabalho, procurando meios e ajuda para
solucioná-los.
Lamentavelmente, a disponibilidade
destes cursos ainda é muito reduzida. A nível
nacional, pouquíssimas instituições oferecem
esta possibilidade, mesmo assim, como área de concentração
em Cursos de pós-graduação em Saúde
Pública. Entre estas Instituições estão
a Escola Nacional de Saúde Pública da Fundação
Oswaldo Cruz, a Faculdade de Saúde Pública da
USP, os Cursos de Pós Graduação em Saúde
Pública da Universidade Federal da Bahia e de Pelotas,
de Saúde Coletiva da UNICAMP, entre outras.
A rigor não existe
nenhum curso de Pós-Graduação em Medicina
do Trabalho, a nível de Mestrado ou Doutorado. A alternativa
que os profissionais têm encontrado é a de buscar
sua qualificação dentro dos inúmeros
programas disponíveis que fazem interface com a especialidade,
na esfera da Educação, da Sociologia, da Filosofia,
da Clínica Médica, da Engenharia de Produção,
da Toxicologia, para citar alguns.
Independente do nível
de complexidade da preparação profissional é
muito importante destacar o papel desempenhado pelos Programas
de Educação Continuada. O avanço acelerado
do conhecimento e a complexidade intrínseca das questões
de saúde relacionadas ao trabalho exigem que o Médico
do Trabalho domine e esteja permanentemente atualizado sobre
os temas envolvidos com a especialidade.
Este é um dos maiores
desafios enfrentados hoje pelas Instituições
de Ensino e pelas organizações profissionais. |